Viver pode doer, mas vale a pena

O mundo me deu algumas folhas em branco, alguns amigos pra sempre, outros me foram tomados por circunstâncias para além do meu controle, ainda outros o pulso deixou de pulsar.
Com tantas pessoas sempre ali, contando de si, sabendo de mim, desmascarando meu ego. Com as escolhas batendo (noc, noc), só restava fazê-las ali, sem pensar muito. E foram mil escolhas erradas, mil erros.
Os acertos foram muitos também, mas estes são esperados.

O tempo passou com décadas tão distintas, processos e progressos tão agressivos. Em dado momento pensei que não suportaria. Viver também dói.

E quando eu resolvi querer, fui lá. Obtive tudo aquilo com que minha mente vibrava, como também vibrava meu coração. Feitiços mil, orações em montes madrugadas a fio, o tantra, exus, pombagiras e pretos-velhos, orixás, Freud, Nietzsche, Dali, Leibnez, mulheres lindas, sexo e pulso, O doce, o ácido, o maldito álcool. O altar, o abuso, o fracasso, a fome e o medo da rejeição. Caralho, foi foda!

Deus e Demônio não se entendiam. Sempre uma inimizade consigo mesmo, uma vontade de morte e um viver ofegante, cheio de adrenalina e vapor.

A Bíblia hoje, empoeirada sobre meu criado mudo, ainda me mostra um Jesus inteligente, amoroso e incrível. Dos tantos livros que passaram pela minha vida, este se sobressai. Leio, reflito e me enxergo em cada linha. É como se ela me lesse, não o contrário.

Através de cada linha lida, assimilar o caminho, chamar outros,  criá-lo sobre estrutura testada na dor, na perda, nos ensina a saborear verdadeiras vitórias. E das maiores que posso me considerar campeão é que quase não tenho magoado ninguém nos últimos anos. Pois uma vida vivida com intensidade pede calmaria com a chegada de certa idade.

Dramático? Talvez você não tenha oportunidade suficiente de conviver comigo tanto tempo para ouvir sobre tudo que envolve ser eu. Nem queira, pois ser você já deve ser muito difícil.

Só tento expressar um pouco de como me sinto aos 36 anos e prestes a casar, algo que significa viver a unidade de duas identidades e a unificação na diversidade.

Tony L. Draper

Tony Lopes - Designer, ativista, amante da natureza, ouve rap compulsivamente, viciado em séries e tranquilidade.
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