Os adultos e sua mania de nos educar

Ando pelas ruas reparando o povo se comportar lindamente. Somos brasileiros e nossa cultura preza pelo bom senso, razoabilidade e respeito ao próximo. Certo? 

Claro, evidenciamos nossa maturidade sempre que uma criança de 8 anos cruza nosso caminho. Adoramos dizer como devem se portar, vestir, estar, como comer, que palavras caem bem ao momento é de acordo com a visita. Somos ótimos nisso. 

Brinquedos de adultos. Eu curto!

Além de um conforto em confrontar os menores, temos real prazer em vê-los tentar seguir por essa linha. Alguns fingem tão bem que conseguem assimilar isto em seu cotidiano mesmo após o casamento. Vamos manter as aparências, aparências vendem. 

As crianças, essas pessoas do bem, dizem em seu silêncio infantil: fodam-se suas normas, vou tirar meleca do nariz e comer até amanhã de manhã. Eu não ligo pro que ninguém pensa. 

Essa nova geração, que interfere em conversas de adultos (graças a Deus) nos livram de verdadeiros monólogos com hipocondríacos e maniacos depressivos que, também por estarmos nos dias de hoje, caem de árvores. 

Não sei se estamos fazendo do jeito certo. Mas algo real precisamos fazer aos nossos pequeninos: Deixá-los fugir de nossa educação pra visita e torná-lo um cidadão pra vida. Com ou sem palavrões, etiquetas ou arrotos em público. 

Que possamos deixá-los ser! E que nossa falsa noção de educação nos ensine a perceber que se mantermos algo da essência de uma criança, poderemos viver em paz conosco. 

Quem teve um acesso psicológico e resolveu encarar Dostóievski na transição Entre adolescência e a juventude, sentiu na pele o que significa infantilizar-se propositalmente para ver “sábios” caírem de seus pedestais. Ou quem leu a bíblia e via que as crianças tinham contato direto com o mestre sem muito esforço, consegue entender a vantagem de maliciar menos e experimentar mais, sofrer menos e cantarolar um pouco mais e mais até que alguém lhe mande calar a boca. 

Ahh, a vida pulsando e a gente querendo mais. Se isso é ser mal educado, vamos manter. 

Simbora! 

Tony Lopes - Designer, ativista, amante da natureza, ouve rap compulsivamente, viciado em séries e tranquilidade.
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