Já digo não, sei meus limites e estou aprendendo a fazer escolhas

Acabo de ler este texto, no Fast&Co, sobre o botão ‘delete’ contido em nossos cérebros. E, pra minha surpresa, o segredo de eliminar e/ou fixar determinadas informações (aprender/desaprender) consiste em dormir bem. Pois, segundo pesquisadores, as sinapses que fazem o trânsito dos neurotransmissores trabalham nesse espaço de descanso. Inclusive naquela sonequinha de 10/20 minutos após o almoço.

Durante minha caminhada nessa vida de ‘freelancer’, já me vi sob pressão para entregar em 24h trabalhos que eu precisaria de 1 semana para fazer, assim como projetos feitos em 2 dias, quando precisava de 1 mês. Na maioria das situações consegui me sair bem, entregando com êxito os trabalhos e, o melhor, sem dar na cara que ralei sem dormir por horas a fio. Mas eu sabia que ao final, minha capacidade de criar, dialogar e transmitir ideias estava abalada e esgotada. O mesmo sinto quando estou incomodado com uma situação ‘x’ou ‘y’. Pensamentos repetitivos se acumulam em volta de um tema e, não adianta jogar água fria na cara, não consigo sair do lugar, girando em torno do assunto até estafar.

A jornada deve ser seguida em coerência

Fazer escolhas. Quase nunca é fácil. (Foto: Internet)
Fazer escolhas. Quase nunca é fácil. (Foto: Internet)

Há alguns anos atuo de forma efetiva em projetos sociais, voltados para o meio ambiente, sustentabilidade e cultura. Por muitas vezes me vi fazendo para além das minhas forças, buscando o melhor resultado, sem obtê-lo por um motivo simples: Falta de autoconhecimento. Pois se soubesse dos meus limites à época, teria reduzido o desgaste em muito, além de ter aberto oportunidade para outros `voluntários` fazerem sua parte. É o que de algum tempo pra cá resolvi chamar de `liderança torta`.

Tenho descoberto, aos poucos e a duras penas, que trabalho voluntário não precisa ser sofrido, doloroso e/ou desestimulante. Meu ego e vontade de ver dando certo não pode, nem deve, em momento algum, interferir no bom andamento das atividades de um todo. Assim como descobri que todos ganham quando assumem, cada qual seu papel, o cumprem e, ao final, celebram. Precisamos seguir em coerência com nossos sentimentos e nossas capacidades. Deixando assim tempo para família, trabalho e o cuidado com a alma.

Ninguém é de ferro

Por mais que clichê que seja, e é, a máxima de que não temos super-poderes e de que não estamos acima de nossas capacidades físicas, psicológicas e motoras, deve guiar nossa caminhada rumo ao equilíbrio de nossas aptidões, paixões, projetos e ambições.

Não trata-se apenas de uma desculpa para errar, mas uma justificativa para, com direito, se sentir cansado e, nesse momento, descansar. Abrir mão da capa e buscar o aconchego do lar, a canja de galinha ou aquela série favorita que você assiste para sair um pouco da realidade.

Algo aprendido uma vez, nem sempre torna-se um hábito, mas deveria

Então, aprendi, já sei. Pronto?

Não! Quem dera fosse simples assim.

Já digo não, sei meus limites e estou aprendendo a fazer escolhas

O próprio aprendizado requer treino e muitas recusas. Pois podemos saber que o corpo chegou no limite e mesmo assim ainda aceitar novas tarefas em prol de um projeto. Podemos saber que nossas forças estão fracas e, ainda assim, topar um novo desafio. Como é difícil dizer não! Mas não é impossível.

Tenho treinado me habituar a dizer desculpe, mas não posso. Tem funcionado. Mas não pense que trata-se de uma tarefa fácil e que do dia pra noite você conseguirá levar uma vida com qualidade, 8 horas de sono, equilíbrio emocional e psicológico. Leva tempo, mas vale a pena.

Através de exercícios como dizer não, ouvir minha intuição e seguir minhas convicções, já não bebo há 1 ano e parei com o cigarro há 10 dias. Mas quero contar esta e outras histórias a medida que tiver tempo para tal, o que não é minha realidade no momento.

Good vibes, people!

 

 

Tony Lopes - Designer, ativista, amante da natureza, ouve rap compulsivamente, viciado em séries e tranquilidade.
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